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quinta-feira, 3 de março de 2011

Nota da professora Merkel

Sócrates apenas teve um suficiente. Esta foi a nota que o governo de Portugal obteve nos trabalhos de casa. Parece ser uma boa nota dentro do actual quadro europeu, se acreditarmos que o caderno de trabalhos que Sócrates levou foi o legítimo e fiel cumpridor do Orçamento do Estado.
Claro que não foi uma boa nota. Mostraram à Merkel que a despesa do estado tinha diminuído e ela ficou mais animada. A despesa do estado diminuiu porque os gastos com os apoios aos desempregados foram suspendidos com manobras administrativas de última hora. Nós não estamos habituados a viver à custa do estado e todas as tentativas de cortar estes apoios, logram bons resultados pelas exigências impostas duma forma caricata. Como se prova que não temos um trabalho legítimo e legal?
Só podemos provar os factos confirmáveis. Trabalho nesta o naquela empresa.

Estes números positivos nas despesas, causam a um respiro no orçamento, que é visto como uma melhoria da administração. Esquecemos que são números trabalhados para o exterior e cujo resultado sacrificador para a economia interna, só serão avaliados com o incremento do encerramento das PME's e mais desemprego, cujos subsídios o estado não tem e terá que pedir emprestado para pagar.

Merkel diz que não falou em ajuda externa para Portugal. Nem falta faz, porque essa é uma situação já definida e só virá oficialmente, depois dos compromissos actuais de fazerem mais obras públicas. Apenas lutam pela dilação suficiente, a fim de permitir que Espanha recupere algumas contas.
Têm que evitar o efeito negativo na economia vizinha, que causaria o pedido do FMI agora.

Os mercados internacionais baixaram a especulação nestes dias, apenas porque foram anunciadas medidas de investimento do estado, em obras públicas. A coincidência destas notícias e a reunião em Berlim, são denunciadoras duma estratégia aliciadora para o grande capital agiota. Este, sabe que Portugal não pode suportar mais investimentos públicos sem ir pedir-lhes dinheiro. Nessa altura subirão as taxas dos juros, porque Portugal não tem como pagar. Sabem que a Merkel quer salvar o euro a toda custa, ainda que por cima de Portugal. Estas coisas não são ditas ao povo.

Já repararam que não há notícias de investimento produtivo? São só mais gastos, porque não se tratam de despesas que tenham retorno. Quem precisa de aeroportos ampliados? Não é Portugal certamente. É o capital internacional, as grandes empresas que serão envolvidas e os bancos que as apoiarão nos investimentos e nas derrapagens da corrupção, para ajudarem nas próximas eleições.

A política económica foi redesenhada para a salvação das multinacionais.
Este foi o trabalho de casa que Sócrates trouxe.
Veremos as consequências favoráveis para as muitas empresas que venham fazer estas obras.
Talvez contratem alguns desempregados o que será favorável temporariamente e com esse anúncio, o governo exultará na "sua" decisão. E nós engoliremos a mentira porque não sabemos pensar devidamente. Este será um supositório de dimensões astronómicas. Nem vamos poder andar.

As privatizações que desde há tempo venho reclamando, tal com a eliminação das parcerias, só serão executadas depois do desastre e serão vendidas a preços de sobrevivência tão irrisórios, que só beneficiarão os compradores. Esta é mais uma táctica corrupta e será justificada pela optimização alcançada na redução das despesas do estado, ao eliminá-las da maquinaria proselitista.

Angela Merkel continuará a apoiar o governo de Sócrates, enquanto ele for obediente.
Ela não quer um governo produtivo em Portugal que prejudique a recuperação da Alemanha.
Faz muito bem. Defende o seu povo.
Mas quem nos defende a nós, que temos um governo que apenas pensa nas próximas eleições e nada faz em pró da Nação?
Continuaremos a importar os produtos alemães, franceses e espanhóis. Primeiro, a recuperação económica dos países europeus que determinam a sobrevivência do euro e só depois verão que fazer, em relação ao povo Português.

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