Contrária à minha opinião em pró do país, o PEC não passou. Consequente e cumprindo a ameaça, a demissão de Sócrates concretizou-se. É um passo acelerado para a derrocada do país.
Este foi o maior erro da política nacional. Todos os partidos sem distinções, apenas pensaram na política pessoal. Nenhum partido pensou em termos nacionais e menos no povo angustiado.
Sócrates cairia mais adiante, podre e sem possibilidades de ressurgimento, quando tivesse que pedir a intervenção do FMI. O perigo futuro reside na grande capacidade de recuperação de Sócrates face às adversidades e na fraca memória do nosso povo. Nas próximas eleições, grande parte dos eleitores esquecerão estes passados tempos ao ouvirem o ilusionista Sócrates, dizer que agora sim, agora vai ser diferente. Vão acreditar nele, porque gostam de acreditar no impossível. Somos um povo recentemente libertado do jugo ditatorial, que entregou de mão beijada o país a oportunistas políticos sem controlo, encantadores e bem-falantes. Sócrates é o perfeito exemplo.
As próximas eleições serão mais do mesmo. Promessas que não vão cumprir.
Portugal ficou pior.
A ajuda externa é uma resultante, em álgebra elementar, das contas do país. Estamos em falência técnica. Este facto é do conhecimento geral. Talvez não o seja, o facto de estarmos na ruína.
Não temos dinheiro para os gastos correntes.
Sem governo executivo, não poderemos assumir compromissos nos mercados do capital. Findo o dinheiro para pagar as dívidas internas, mais falências virão e desemprego. Mas o pior dos males, será quando não haja dinheiro para pagar os ordenados à função pública.
Pagamos milhões mensalmente apenas de juros da dívida, convenientemente assumida.
Estes pagamentos vão ter que ser suspendidos. Entraremos em incumprimento e contencioso.
Sócrates enquanto gestor, apenas vai cumprir os compromissos já assumidos e pagar as dívidas a todos os amigos do PS, sem importar os ordenados e compromissos sociais obrigatórios.
Responderá que não tem dinheiro e que não pode comprometer mais dívidas, como gestor.
Sinto-me tão decepcionado com a resolução da Assembleia, que me sinto restringido na eloquência habitual. O comportamento dos partidos foi execrável, pela sobrevivência pessoal e política à crise.
A decisão está tomada. O rumo do país está traçado, escrito e verbalizado duma forma agoniante.
O próximo futuro testemunhará as minhas palavras. Espero enganar-me, para bem de Portugal.
Antes de terminar, informo que tentei averiguar as nomeações, mordomias outorgadas, contratos reescritos com vantagens escandalosas, confirmações nos cargos e outros compromissos, assumidos por este governo nestes últimos dias, enquanto executivo.
Que dívidas foram pagas nas últimas 48 horas às empresas, aos assessores e a outros elementos do quadro partidário e simpatizante.
Não obtive resultados alguns.
Infiro não terem havido os habituais, compromissos de última hora quando os governos estão de saída ou que não tenho acesso a essa informação.
Agradeço se alguém puder ajudar-me.
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