Terminou mais um episódio angolano. Teve um final social feliz, mas não politicamente.
Este não foi o melhor desfecho a meu ver. O governo demonstrou pouca capacidade de controlo.
O futuro avizinha-se pior.
Angola continua minada por forças contrárias à organização administrativa institucionalizada.
O futuro de Angola está nas mãos do seu povo. O MPLA com seu representante executor, deve aplicar-se com mais inteligência, oportunidade e presença administrativa no terreno.
Um povo resistente e que muito sofreu por anos seguidos de guerra civil, sente-se abandonado.
A juventude actual foi educada na guerra e pouco mais sabem que matar.
O esforço do Governo do MPLA, que tem tentado recuperar desta cultura os dogmas do seu povo jovem e que são o futuro de Angola, não tem tido o sucesso necessário.
Muitos erros têm sido cometidos ao longo destes anos pós-guerra civil.
O maior erro tem sido a sobrevivência inadequada das diversas tribos envolvidas, por razões que pertencem ao passado e que Angola tem que ultrapassar no presente, para semear o futuro.
O governo está dedicado à recuperação económica e à reconstrução do país mas tem esquecido as suas diferentes gentes, em latitudes que num passado recente foram adversas a actual governo.
Este esquecimento ou vingança, vai ter um efeito negativo se não for corrigido desde já.
Angola pertence a todos os angolanos e não apenas àqueles que ganharam a guerra civil.
Espero que esta manifestação tenha aberto os olhos ao governo, para que focalize as suas atenções no interior deste grande país. Angola poderá ser a primeira economia da região, se o trabalho de reconstrução passar pela reeducação do povo e pelo seu bem-estar familiar.
Faço votos de que o MPLA aposte no desenvolvimento das regiões antes tão produtivas e que durante a guerra foram abandonadas, para que os seus autóctones históricos regressem às suas origens.
Este povo do interior que tem estado olvidado, pouco exige. Quer regressar às suas terras e pretende apenas, serviços de saúde e educação, igualdade de oportunidades e justiça cega.
Esta falha não pode continuar se queremos que Angola vingue no futuro.
A recuperação de Angola deve começar nas terras que tantas gerações alimentou, volto a insistir.
As grandes empresas, os faraónicos empreendimentos imobiliários também fazem falta, se não estiverem delimitados à geografia costeira e aos grandes centro urbanos.
O MPLA tem que voltar-se para o interior, se não quer viver outra guerra civil.
Desta vez será mais intensa, inglória e fratricida por excelência.
São necessários vários anos de esforços, aplicados nesta orientação futurista.
Os sinais da vontade do governo neste sentido, devem ser destacados e vinculados desde já.
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