Desde a aprovação do OE para 2011, que começámos a identificar correntes opositoras a Sócrates.
Com a evolução dos acontecimentos negativos e a submissão do governo à Europa Centralizada (inevitável) através da Drª. Merkel, foi mais marcante esta relutância no seio do partido do governo.
A menor intervenção dos ministros nas respectivas pastas, com o ministro Teixeira dos Santos a assumir a voz da razão, passando pelo destaque de Francisco Assis nas aclaratórias e correcções às afirmações e posições do governo em determinados assuntos, vemos que a desordem está instalada.
Desde há muito tempo que o Primeiro-ministro Sócrates devia ter remodelado o governo.
Não o fez e perdeu a oportunidade, porque agora seria vista como uma condenação política dos ministros substituídos e nenhum deles está para arcar com culpas que não lhes pertencem. Nem aceitam ser afastados. Se Sócrates os obriga, eles abrem a boca e desmascaram o "ilusionista".
Claro que têm responsabilidades, mas quem manda é Teixeira dos Santos, através de Sócrates e os restantes ministros só têm que obedecer às ordens recebidas, via Sócrates.
Esta mudança de autoridade na governação e o novo rumo político assumido, satisfez Europa mas desagradou ainda mais ao Partido Socialista. Claro que Sócrates ainda seria confirmado no seu cargo de Primeiro-ministro, até há dois dias atrás, mas não passadas estas 48 horas.
Hoje o PS está mais fracturado e só voltará a ressurgir com o afastamento de Sócrates.
O futuro de Sócrates está em risco, pelas provocações para a queda do governo. Não era isso que ele pensava. Sempre confiou que com novas eleições, seria eleito de novo.
O PS ainda tem muitas possibilidades de voltar a ganhar as eleições, mas não Sócrates.
No programa da Sic Notícias de quinta-feira entre Ricardo Costa e Sarsfield Cabral, comentando a entrevista de Sócrates, escutamos Ricardo Costa a fazer campanha contra o PS de Sócrates.
Hoje vemos avançar António Costa, ao criticar Teixeira dos Santos, que é o santo patrono deste governo. Atacar TS é o mesmo que atacar Sócrates, como menos responsabilidade partidária.
A conclusão directa é óbvia: O próximo Primeiro-ministro aponta para António Costa.
Sócrates muito inteligente como sempre e identificando este desaire pelo seu comportamento impulsivo, acaba de retroceder na sua provocação. Apoiado pela Merkel, já não quer eleições antecipadas. Não porque o PS possa perder, mas sim porque quem perderá de certeza, é ele.
Sócrates não voltará a ser Primeiro-ministro, se as eleições forem agora.
O Conselho Europeu quer tirar o PS do governo. Cairá nas próximas eleições, ainda é prematuro.
Neste momento Sócrates é o fiel cumpridor dos seus desígnios e é melhor este "mal" conhecido, que um "bom" por conhecer.
Ademais, está a cumprir veladamente as decisões superiores e é boa política para a Europa atrasar o mais possível a intervenção do Banco Mundial (FMI), noutro país europeu.
(A oposição está desorientada e não é alternativa política, neste cenário tão quente e violento)
António Costa tem o objectivo afastar Sócrates nas próximas eleições legislativas extra-ordinárias, Vão haver eleições antecipadas, mesmo depois da viabilização deste atrasado PEC4, que preconizei para Janeiro. O governo de Sócrates cairá apodrecido por tantos embustes e ganhará o partido que saiba proceder com cautela e bom senso nesta conjuntura política tão instável.
É fácil actuar nesse sentido, como comentei no artigo "Discurso de Sócrates"
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