Devo muito a Angola. É por direito de criação o meu segundo país. Aquando da revolução portuguesa de 25 de Abril de 1974, todos os meus sonhos angolanos se desmoronaram. Grande foi a minha revolta contra esta emergente sociedade nativa, que durante 18 anos foi a minha família.
Cometi muitos erros contra este renascimento legítimo, participando em correntes políticas contra o MPLA. Esta era a minha realidade de então.
Acompanhando a evolução dos acontecimentos, tive que render-me à verdade e reconhecer que o poder só poderia ser controlado pelo MPLA. Hoje a história confirma que foi a melhor opção.
Com desgosto e preocupação, tive conhecimento da organização duma manifestação contra o governo Angolano no dia 07/03/11, promovida por Agostinho Jonas Roberto dos Santos (?).
Querem mudar a constituição a fim de permitir eleições presidenciais. A Constituição de Angola aprovada no Parlamento é muito clara ao atribuir a representatividade do Chefe de Estado, ao cabeça de lista do partido que ganhe as legislativas. Não há dúvidas sobre esta legitimidade. Quem queira assumir a presidência, terá que ser o cabeça de lista do partido ganhador das legislativas. Desta forma, evitam-se gastos maiores com a eleição presidencial nominal.
Ninguém tem que pôr em causa estas regras, porque são iguais para todos.
Se há poder que possa manter a união de Angola, é o MPLA e o actual governo.
Tecem acusações contra o Presidente José Eduardo dos Santos (ZéDu) e contra os seus ministros e companheiros, por corrupção e outras vilezas.
Corrupção há em todos os governos e muitos benefícios pessoais, obtêm os governantes e os seus correligionários. Sejam estes ou outros.
Que move esta manifestação senão obter o poder por vias inconstitucionais?
Farão melhor? Não creio que alguém possa melhorar Angola por via de manifestações e tumultos, pois será essa a consequência desta manifestação.
O sofrido povo de Angola, ainda necessita de muitos anos para encontrar o equilíbrio social e beneficiar do pleno direito civilizacional e bem-estar económico que merece.
Angola ficou destruída pela guerra civil e está no melhor caminho para a sua recuperação.
Não estraguem o bom trabalho que está a ser feito. Todas as reconstruções são lentas.
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