Jorge Lacão Costa é, neste momento, o primeiro herói português contemporâneo que conheço.
A sua actual proposta da redução do número de deputados para 180, o mínimo que a actual Constituição permite, faz dele um político coerente consigo próprio e leal defensor da Nação.
É louvável este esforço inocente, pela indigna representatividade nacional dos nossos políticos. Não vingará na sua labuta, porque a contaminação anti-nacionalista das nossas forças políticas, estão ainda numa etapa de ressaca pós-25 de Abril. Pouco tempo falta, para que o povo "abra" os olhos, à necessidade de mudar a Constituição a fim de salvar a Nação.
Lacão permitiu-se despoletar um dos grandes males da nossa Assembleia: O excesso de deputados parasitas, comodamente instalados num sistema político obsoleto e viciado no "amiguismo" colorido dos diferentes partidos.
Seria o primeiro passo, antes da alteração da Constituição, porque não precisamos sequer de 180 membros, neste universo de cerca de 9 milhões de eleitores, sem os mortos inscritos.
Outros valores igualmente se impõem, tal como a nominalidade eleitoral.
O único representante que elegemos por nome e feitos, é a ridícula "figura" do presidente, que não tem qualquer função activa na política. Não nos faz falta votar em alguém, que não nos representa efectivamente. É um desperdiço de recursos económicos e humanos.
A proposta da redução dos deputados nunca será aprovada, enquanto a corrupção não for adequadamente combatida. A corrupção já está tão institucionalizada que supera a capacidade de resposta económica do povo, obrigando-os à procura dos dinheiros públicos, para alimentar a ganância dos chefes e dos seus lacaios. Aumentam-se desmedidamente os seus próprios ordenados e mordomias, assim como àqueles que submissão lhes devotam. Quando aumenta a procura de "tachos", criam empresas públicas redundantes e as assessorias necessárias, para cumprirem com a demanda solicitada.
Esta nova estrutura moral da nossa sociedade, está a socavar todos os alicerces que foram a sustentação da nossa existência, até à chegada de novos aventureiros em 1976 e que conhecemos como nossos representantes. A ingenuidade política e administrativa da época, deu azo à criação de paradigmas na gestão pública, que apodreceram os nobres ideais da Revolução dos Cravos.
Felizmente ainda existem alguns que são dignos e leais, tal como o deputado Lacão, que luta contra a já há muito tempo identificada, corrente oficial do país.
A corrupção era, um mal identificado e típico dos países subdesenvolvidos.
Hoje, Portugal é um país subdesenvolvido, graças à proliferação oficial destas práticas.
Todos devemos dizer não a esta praga endémica, sublevando-nos contra os seus executores, através do voto. Lamentavelmente como não identificamos a figura corrupta típica por nome, devemos mobiliza-nos na demanda pela clarificação da moldura penal da corrupção, assim como as sanções imediatas aos vis praticantes, com punições eficazes e duradouras.
Os corruptos condenados devem ser presos e ressarcir o Estado, com o fruto desta ignomínia e com os seus bens pessoais à data. Os divórcios, vendas ou doações posteriores, devem ser consideradas como evasão, e, jamais, voltarem a ocupar cargos públicos. Os não condenados por falta de provas, mas suspeitos de tal prática, cujas instituições por eles administradas apresentem resultados de má gestão ou gestão danosa, devem ser impedidos de voltar a ocupar cargos públicos e não muda-los de "ninho".
Esta é uma responsabilidade das leis, que lamentavelmente são redigidas por alguns dos mesmos e aprovadas por outros similares.
Qual é a solução? Será desenvolver a economia o suficiente para sufragar estas despesas, sem penalizar a assistência social aos carenciados e os cortes nos salários dos funcionários? Não!
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