O Partido Social Democrata chegou à linha final. Perto da extinção, já não reúne alento suficiente para enfrentar as próximas legislativas. Não há união nem bom senso no seio do partido. As querelas pessoais sobrepõem-se aos interesses do país.
Nos últimos anos temos observado movimentos e correntes internas que provam que o desentendimento é para durar enquanto a definição política do partido não for esclarecida.
Muitas discórdias e pouco apoio aos últimos eleitos secretários-gerais, são testemunhos evidentes. Jamais, algum dos eleitos conseguiu unir este partido. Tampouco o conseguirão no futuro, enquanto a orientação política for tão ambígua. Toda a sua história será apagada, pela incompetência dos elementos que foram pilares desta agremiação outrora tão determinada e agora tão incongruente.
Passo Coelho foi eleito para rolar do pódio antes das legislativas, segundo o calendário ordinário.
A antecipação das eleições apanhou todos de surpresa. Foi criada a ruptura política presente por conveniências pessoais dentro do PS e ingenuamente apadrinhadas por Passos Coelho, que viu a oportunidade de se afirmar e de consolidar a sua liderança.
Esta liderança não está preparada, para o presente cenário político. É um autêntico teatro.
O convite a Fernando Nobre foi a derradeira prova, de mais uma decisão errada.
Pedro Passos Coelho poderá ser um grande político, num futuro oportuno. Nunca neste quadro.
Tem os atributos para ser líder mas precisa de preparar-se para o efeito. Obcecado pelo estrelato, conduziu o partido à morte, arrastando as esperanças do eleitorado que acreditava no PSD.
A falta de maturidade interna, impede a união que o partido necessita. As cabeças do PSD negam o apoio ao actual líder. Estas mesmas cabeças que através dos mídia defendem a coesão em defesa do país, agora abandonam esse mesmo país, ao abandonar o circunstancial líder do partido.
Se Passos Coelho foi precipitado. Os que agora lhe negam o apoio político necessário, estão a demonstrar um egoísmo desmesurado com consequências ainda piores.
O PSD não vai ganhar as eleições e vai descer muito nas intenções de voto, no futuro.
A razão principal desta constante guerra intestinal tem motivos ideológicos.
O PSD deve seguir uma linha liberal de orientação democrática e parlamentar, como em tempos foi a vontade de Sá Carneiro, quando guerreava contra o Marcelismo, enquanto deputado na Assembleia do estado novo.
Ao adoptar por uma linha "social-democrata", de origem ideológica marxista, o PSD perdeu-se num limbo de orientações mal esclarecidas com as consequências na instabilidade dos credos.
Em todos os anos de existência, a única autoridade diferenciadora desta ideologia, foi Sá Carneiro.
Hoje, ninguém tem estrutura política para separar as tendências internas, definir os dogmas do partido e esclarecer o eleitorado.
As diferenças ideológicas com o Partido Socialista são muito estreitas. Criam perturbações nos eleitores, com a agravante de que a aplicação das políticas poderem ser interpretadas como semelhantes. Por esta razão, são os partidos que mais perto e distantes se encontram.
Invenções à Portuguesa: Não são carne nem peixe, senão tudo o contrário.
O PSD deve começar por criar uma identificação mais clara da sua natureza política e prosseguir num trabalho de união mais coeso, defensor da realidade liberal do espírito do partido e apresentar-se como um partido conservador. Esta é a segurança de que o país precisa, agora e sempre.
Desta forma poderá encontrar a identificação necessária, para ser uma alternativa credível, à governação socialista. Até lá, continuará a perder terreno até à extinção.
A este cenário se deve o aumento da abstenção eleitoral, que agora alcançará números recordes.
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