Foi um discurso magnífico e nacionalista. Unificador e com uma grandeza de alma genuína.
A preocupação, os apelos à sinceridade política e a advertência à responsabilidade dos compromissos nas promessas eleitorais, destacam a essência deste discurso tão moralizador. Portugal necessita há muitos anos, dum discurso com esta moral.
Parabéns senhor Presidente Cavaco Silva.
Mas, há vários aspectos negativos na apreciação que faço:
1º. Vossa Excelência prometeu aos Portugueses uma magistratura activa, na passada campanha.
O desfecho da decisão que anunciou ao país, é a garantia para a continuação da imoralidade política, preponderante na nossa nação.
Foi uma posição passiva e ao sabor dos acontecimentos, provocados intencionalmente.
Penso que tomou a decisão consciente do teatro político actual e após ouvir atentamente os diversos partidos políticos. Esta base de suporte, na minha opinião não é válida. Apoiou-se nos partidos que conduziram o país ao actual estado. Estes mesmos partidos ouvidos, carecem de legitimidade de opinião, neste momento tão grave.
2º. Consolidou a sua decisão com o recurso constitucional de ouvir o Conselho de Estado.
Presumi que V. Ex.ª já levava a decisão tomada. Esta presunção é legítima, porque dias antes diversos conselheiros haviam expressado publicamente, opiniões diferentes à aprovada. Como a opinião dos conselheiros foi unânime nesta decisão, (Palavras de V. Ex.ª) deduzo que mentiram.
Como V. Ex.ª é a pessoa mais honesta que há, pois para o serem mais, teriam que nascer duas vezes e como sei que eles não nasceram duas vezes, tenho a certeza que mentiram.
Só não sei quando, se antes quando manifestaram outra opinião ou na reunião cuja aprovação foi unânime. Lamento então, que alguns membros do Conselho de Estado sejam vis políticos mentirosos. Nestes últimos anos, tenho aprendido que outro sinónimo de político é "aldrabão".
3º. Estas eleições vão custar ao erário público os seguintes euros: (Dados das eleições de 2009)
Gastos de organização e logística: 8 milhões
Orçamento dos partidos, subvencionados pelo estado: 13 milhões
Viva a Constituição. Cumprimos e pagamos com o corpo.
Não deveriam haver eleições neste momento. São extraordinárias, assim como as circunstâncias económicas e sociais da nação.
Deveriam ser utilizados outros recursos políticos, ainda que inconstitucionais.
Estamos a viver uma época especial, que requer a assunção de medidas especiais.
Nos artigos, O desastre iminente e o Presidente, Contradições calculadas, Pandora política e Morreu o Governo – Viva o Desgoverno, defendo claramente a alternativa mais viável à promiscuidade reinante na nossa política.
Não há definições claras em prol duma nação carente de comida e viciada em corrupção.
Há uma mistura dos valores pessoais contra os legítimos direitos dos Portugueses, como consagra a constituição, que V. Ex.ª jurou defender.
Ninguém conhece o valor actual de Portugal. As contas estão ocultas e manchadas pela corrupção.
Que compromissos poderão assumir os partidos que desconhecem os buracos camuflados?
Como serão as futuras gerações, educadas nesta imoralidade política, social e humana?
Que valores balizam a postura cívica dos nossos políticos?
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