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sábado, 2 de abril de 2011

A Carris defende os buracos

Com a renovação dos carros para os quatro administradores, a Carris gasta mais de 176 mil euros. Este prémio pela ineficiente gestão é apadrinhado por todos os políticos do país, com poder supervisor.

O esclarecimento da empresa pública liderada por Silva Rodrigues surge depois da manchete da edição de hoje de Correio da Manhã «Carris renova frota com carros de luxo», referindo que a empresa alugou em 2010 automóveis topo de gama para quatro administradores.
A Carris realça que «nos termos das disposições em vigor, os membros do Conselho de Administração não têm direito de preferência na aquisição das viaturas no final do contrato, ou seja, não têm a possibilidade de compra da viatura no final».
A Carris fechou 2010 com capitais próprios negativos de 775,5 milhões de euros, segundo o relatório e contas, admitindo que tem «uma estrutura financeira desequilibrada» e que financia a actividade recorrendo a endividamento de curto prazo. (sic)

Estas declarações de Silva Rodrigues são tão irresponsáveis como a sua própria gestão. Aparte dos prejuízos demonstrados e do endividamento necessário da Carris, também admite que agora, os membros da administração já não podem ficar com os carros que o povo pagou. Antes podiam ficar com os carros, pagando apenas o valor residual de 1% do valor total do carro novo, sem impostos.
Será que acabou esta corrupção? Não acredito que tirem estas benesses aos corruptos e àqueles que autorizam esta irregularidade. Estes carros devem ser vendidos ou entregues como parte do pagamento nas novas aquisições. Estes exemplos de corrupção existem em toda a administração pública.

E porque motivo têm que ter carros topo de gama e da gama mais cara? Ainda mais numa empresa com tantos prejuízos? Os carros anteriores já tinham extinto a sua capacidade de mobilização segura? Já estão em nome dos administradores de certeza, porque não estava em vigor as disposições impeditivas actuais, que foram mencionadas agora por Silva Rodrigues.

Precisam carros topo de gama e da alta, para ultrapassar os buracos que começam a ser comuns nas ruas de todas as principais cidades do país, sem se incomodarem com os solavancos.

Em 1976, tive uma reunião com o general Carlos Galvão de Melo no seu gabinete de administrador, da Petroleira FINA. Após duas horas e finda a reunião, convidou-me para jantar e fomos ao Gambrinus.
Fomos no carro que a empresa lhe havia atribuído, que era um Renault 5. No restaurante pagou em numerário e não pediu a factura. Este político, posso garantir que era honesto.
Por isso foi preso no governo de Mário Soares.

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