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sábado, 12 de fevereiro de 2011

TAP – Bandeira vergonhosa

Desde há muitos anos que a TAP tem problemas económicos. Na era do Estado Novo, dependia dos dinheiros públicos, mas Salazar defendia que era a bandeira alada que marcava a nossa presença no mundo, ainda que as suas rotas internacionais se limitassem às ex-colónias e Brasil.

Depois da revolução dos cravos, a TAP manteve-se à superfície com muitas dificuldades. Vários administradores tentaram a sua recuperação, ou, pelo menos o equilíbrio nas despesas, orientando a empresa à recuperação e lutando contra todos sindicatos conseguiram algum alívio.
Mas esta recuperação era tão lenta e antagónica com os diversos interesses corruptos em gestação, que no ano 2000, as cabecinhas pensantes do governo de António Guterres, resolvem por bem contratar com ordenados astronómicos novos administradores e como chefe deles, o famoso Fernando Pinto, argumentando que este gestor era o mágico gestor, que recuperaria a TAP.

Sucede que foram buscar este mago ao Brasil. O mágico Fernando Pinto tinha sido presidente da Varig S.A., entre 1996 e 2000 e deixou esta empresa brasileira com prejuízos tão grandes que aceleraram a sua falência. Entretanto, a corrupção do governo de Lula era tanta e como Varig em 2005, apresentava um défice de cerca de 5 bilhões de dólares, o mágico Fernando Pinto em Novembro/05, decidiu por bem ajudar, envolvendo a TAP na compra das subsidiárias VarigLog e VEM, para o pagamento de credores internacionais da Varig, pelo valor de 62 milhões de dólares, havendo recuperado 45,5 milhões de dólares da VarigLog, em 2006 e nada da VEM.
Que interesses particulares estarão por detrás desta operação financeira, perdendo $16,5 milhões?

Cá em casa, o Pinto dava tudo aos sindicatos, só lhe faltou dar o xx, porque ainda não tinha o Cartão Único. Os sindicatos amaçaram com greves e ele resolveu todas as reivindicações de forma tão magnânima, que nem demos por quase nada. Não lhe interessava chamar as atenções.

Para si e para a sua pandilha os ordenados e as mordomias aumentavam. Segundo a declaração de rendimentos do presidente do conselho de administração da TAP apresentada no Tribunal Constitucional, este declarou rendimentos de 816 mil euros em 2008, perto de duas vezes mais do previsto no estatuto que estipulou o salário do gestor.
Em 2008, a TAP registou um prejuízo de 285 milhões de euros.

Recebeu menos que outros gestores das empresas nacionais privadas cotadas em bolsa, onde o Estado ainda é accionista com direitos especiais, da Portugal Telecom, da EDP e da Galp Energia, mas que dão lucros avultados e contribuem de forma significativa com impostos à Nação.
O líder da TAP ofereceu-se para baixar 10% o ordenado. Os sindicatos fecharam a porta à flexibilidade laboral e Fernando Pinto manteve o vencimento. Interesseiros?
Para além dos 816 mil euros obtidos com trabalho dependente, Fernando Pinto ganhou ainda mais 86 mil euros devido a rendimentos de capitais e mais 13 mil euros em pensões.
É provavelmente o quadro do Estado com maior remuneração.

Quanto à restante equipa que compõe o conselho de administração executivo da TAP Portugal, Michael Connoly, Luiz Mor, Jorge Sobral, Manoel Torres e Luís Rodrigues, cada um dos gestores recebeu no ano 2008, 280 mil euros brutos, ou 20 mil euros mensais.
Além da remuneração base, Fernando Pinto e a sua equipa têm direito, como outros gestores públicos, a telemóveis, combustíveis e carros pagos, e ainda quase 55 mil euros para o pagamento das despesas de alojamento em Portugal. Que falta nos fazem estes gestores importados?
Temos nacionais que roubam menos e fazem um melhor trabalho, certamente!
Estes são os últimos e tristes valores oficiais conhecidos. Se não é uma pouca vergonha e agressão aos portugueses. É um roubo descarado com a cumplicidade de todos os entes públicos.
Porquê foram buscar um ladrão e mau gestor deste calibre à Varig? Os prejuízos da TAP aumentaram. Esta resposta terá os governos socialistas de Guterrez e de Sócrates.

Porquê a TAP investiu para ajudar a Varig S.A. se esta acabou por abrir falência e ser vendida à VarigLog? Corrupção de certeza absoluta, pois um gestor que se preze, não investe numa empresa que apresenta prejuízos desde 1985, sem ficar ao menos com alguns equipamentos (aviões).
Desconheço a classificação da TAP entre as maiores empresas aéreas do mundo. Sei que não está entre as quinze primeiras, cujos presidentes e equipas, auferem ordenados e beneficiam de mordomias, inferiores ao Pinto e a sua quadrilha de malfeitores.

Portugueses, este é mais um caso flagrante de enorme corrupção e roubo do erário público.
Aqui a cumplicidade não é só do Governo e do Presidente da Nação, mas também dos sindicatos, que recebem para ficarem calados. Uma família unida.

1 comentário:

  1. Meu Caro,

    A sua análise apesar de correcta, é incompleta. Só os prejuízos acumulados na VEM, desde Dezembro de 2005 até ao presente, ascendem a 590 milhões de euros, fora as responsabilidades com os fundos de pensões. A GroundForce, desde a sua cisão, privatização e renacionalização, acumulou prejuízos superiores a 210 milhões. A PGA, foi adquirida ao Grupo BES (sempre eles) por 143 milhões, com recurso a um empréstimo bancário do amigo Vara, estando nessa altura em situação de eminente colapso financeiro e acumulando desde aí prejuízos de 52 milhões (juros incluídos). Mas o mais interessante foram as compras de aviões sem precedentes de aviões decididas pelo brasileiro (tal com já fizera na VARIG), mais de 38 aviões. Muitos deles subutilizados. O Governo não permitiu que o Tribunal de Contas auditasse essas compras da TAP. Até março de 2011, os prejuízos da TAP atingiram os 84 milhões, mais 30 do que no mesmo período do ano de 2010. Os sindicatos têm denunciado tudo isto, mas a fraude, do tipo BPN, em curso na TAP continua impune até ao colapso deste esquema piramidal financiado pelo crédito bancário, patrocinado pela maçonaria. Mas também o presidente Cavaco anda calado como um rato. Porque será e até quando? Só a Parpública, no seu relatório anual, denuncia que "a situação da TAP é crítica desde há alguns anos e continua a degradar-se, como temos vindo a alertar".

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