Felizmente para o país, a maioria dos membros das nossas polícias, ainda estão limpos da mancha da corrupção. Mas contudo, não devemos passar por alto certas tendências que se estão manifestando de formas pouco tranquilizadoras e em incremento.
Tive conhecimento por conversas privadas, de que a vulnerabilidade humana aliada às dificuldades económicas, estão a distorcer a moral de alguns elementos da polícia. Claro que foram apenas conversas que não chegam a lado nenhum, mas que me alarmam pois já vivi o seu exemplo.
Passei por um episódio grotesco, que quero transmitir ao conhecimento dos meus leitores.
Nada disto que vou apresentar é passível de prova por carência de testemunhas presenciais, estavam dentro do carro, mas o facto é verídico e sei que já vários passaram por situações idênticas.
A única infracção ao código de estrada que me foi imposta alguma vez foi numa perseguição duma viatura descaracterizada da BT, na A1. Viajavam a cerca de 20 mts. detrás da minha viatura, fazendo mudança de luzes (máximos/médios), quando íamos à velocidade de 145KM e estando eu a efectuar uma ultrapassagem múltipla a três camiões que seguiam demasiado juntos. Apreensivo pela proximidade da viatura que me seguia, acelerei para ultrapassar os camiões o mais rápido possível e depois passei para a faixa da direita, permitindo a liberdade de circulação na via da esquerda, para o apressado BMW continuar o seu caminho sem me atropelar.
O dito apressado não me ultrapassou e manteve-se à retaguarda à minha viatura, agora sem fazer sinais de luzes, à velocidade de 140KM. Qual não foi o meu espanto, quando após 3 ou 4KM (deram espaço de segurança aos camiões que vinham atrás) reparei que ligaram a sirene e os pirilampos azuis, fazendo sinal para encostar na berma.
Duma forma altaneira, acusaram-me de ter atingido a velocidade de 166KM. Ao negar tal afirmação, mostraram-me o vídeo e efectivamente era o que registava o mesmo, no momento da ultrapassagem dos camiões e eram também visíveis, à direita.
Argumentei que havia sido pela "pressão da proximidade deles" e de nada serviu, encolerizei-me e tentaram conversar comigo, desta vez mais condescendentes e com alguns argumentos pouco convincentes disseram que me vinham seguindo desde vários quilómetros antes, onde se registava a minha velocidade entre os 140 e 155KM. Perguntei então porque não me autuaram a essa velocidade, e criaram uma situação de insegurança para os dois veículos obrigando-me a acelerar para me autuarem então? Nada responderam e disseram-me que seria muito grave para mim ser inibido de conduzir e se eu continuava a discutir com eles, seriam obrigados a autuar-me com a nota de discutir com a autoridade e que a coima seria mais elevada.
Respondi-lhes que não me assustavam e não lhes dava dinheiro nenhum. Autuaram-me.
Exigi que o vídeo ficasse em arquivo e ameacei-os de que se recebesse algum aviso de inibição de conduzir, levaria o caso a tribunal e ainda que nada pudesse provar na tentativa de corrupção porque não tinha testemunhas, podia provar a perigosa condução deles e que faria tal escândalo nos média, que eles teriam problemas sérios demais para poderem controlar.
Furioso com a situação, continuei a minha viagem normalmente, até que reparei que me ultrapassava uma viatura comum, seguida pelos corruptos polícias. Segui atrás deles, ultrapassamos a viatura antes mencionada e eles continuaram a acelerar. Alcançamos a velocidade de 217KM, até que os polícias saíram no desvio para Fátima. Tenho provas nos ocupantes da minha viatura desta infracção da BT Portuguesa. Segui em frente, abrandei para os meus normais 155KM e nunca mais os vi.
A carta que recebi elogiava a minha condução segura e referia que por haver sido primeira vez que tinha cometido uma infracção, não seria sancionado com a inibição de conduzir.
Esta tentativa de corrupção passou comigo. No tempo do Salazar nunca vivi uma situação destas.
Será apenas uma consequência da situação económica ou antes uma nova forma de vida, seguindo o exemplo dos dirigentes sobre quem tantas suspeitas de corrupção pairam?
Antes era usual proferir o sábio provérbio de que não há fumo sem fogo.
Será que alteraram este antigo adágio? Agora há fumo e não há fogo, quero dizer: Corrupção.
Comigo passou o mesmo mas não falei assim.
ResponderEliminarTêm que cumprir quotas senão não têm prémios.
A corrupção começa nos chefes.