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segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Fim dum mito político

Durante séculos, os sucessivos regimes políticos, estiveram enraizados dentro de opções condicionadas pelos próprios regimes.
Ontem, a liberdade do povo tomou uma nova expressão política, ao apoiar expectativas não previsíveis. Será uma mudança de novas vontades políticas ou um voto castigo?
Foi uma manifestação de cansaço, do presente regime político.

Num universo oficial de 9.629.630 eleitores, com muitos mortos à mistura porque o sistema não tem recursos informáticos para a actualização automática dos óbitos, somada às irregularidades do CU, concluímos a falsidade da abstenção. É uma prática habitual em todas as eleições e nestas não foram utilizados como votos preferenciais, porque não estava em jogo a luta de partidos.
Destacaram-se nestas eleições, três fenómenos políticos que merecem especial atenção, porque denunciam um chamado à mudança da presente estrutura política e social.

O grande perdedor foi Francisco Lopes. Com apenas 7,14 % e um orçamento de 800.000 euros, teve uma resposta negativa e o seu futuro político está em risco. O PCP continua a perder terreno e jamais o recuperará. Toda a esquerda em geral, perdeu nestas eleições. Este fenómeno demonstra as mudanças que se estão a operar na sociedade portuguesa. São o reflexo da nova tendência mundial.

O maior destaque foi para Fernando Nobre, cujos 14,15 %, demonstram uma vontade social incipiente pela mudança do nosso sistema político viciado, que deve seguir o exemplo dos países industrializados. Esta votação, alenta o povo para a exigência de mudanças do actual sistema parlamentário, baseado no pluralismo de expressão global, que se presta a favoritismos pessoais.
A alternativa é aquele que se baseie na soberania popular, de representatividade directa e nominal.
É urgente esta alteração constitucional.

A maior surpresa foi José Manuel Coelho. Esta figura jactanciosa e com um orçamento de apenas 90.000 euros, logrou 4,5% do eleitorado, graças à sua irreverência. Cativou um espectro de votantes revoltados, que o apoiaram emocionalmente contra o actual sistema supressor de vontades laborais e de direitos sociais. Esta posição surpreendente é assustadora, pois pode conduzir a poderosas expressões convulsivas da sociedade. Estes fenómenos sucedem com maior incidência, nos sistemas políticos inibidores e corruptos, onde a injustiça prevalece ao criarem uma maior desigualdade de direitos e de insegurança, no seio das sociedades.

Finalmente terminaram a contaminações eleitorais. Voltamos ao futebol e às novelas.
A repetição destas práticas eleitorais de 4+4, para que nos últimos 4 anos de presidência seja desempenhada uma intervenção mais activa, porque já não pode perder outra eleição, induz à dedução lógica, de que o primeiro período é dedicado a cativar votos para a última eleição.
Não desempenham o cargo com a devida responsabilidade de estado, na defesa da Nação.

É uma hipocrisia presidencial, e leva-me a propor que o prazo presidencial seja apenas de oito anos.
Desta forma, o presidente fará aquilo para que foi eleito, desde o primeiro ano.
Se durante os primeiros 4 anos alimentámos uma equipa inoperante, assim, pouparemos dinheiro e ganhamos em efectividade, desde o primeiro tempo.

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