Já não há dúvidas que o nosso modelo económico pereceu. Em 1976 tivemos a oportunidade de definir um rumo económico português evolucionista, mas nada foi feito nesse sentido e vivemos atrasados em relação ao resto mundo em geral. Nesta data, foi elaborada a actual Constituição Portuguesa que originou o presente desastre. Com tendências marxistas, aparte da igualdade de direitos, não identifico nenhumas outras vantagens sociais de relevo e muito menos económicas. Estamos pior que os mercados emergentes.
Somos um país de doutores, basta ouvir qualquer programa, ler alguma notícia ou escutar conversas de café, apenas identificamos as pessoas por doutores sem nome, apenas o Sr. Dr. ou o Sr. Prof. Dr..
Gentes sem identidade, numa sociedade formadora de licenciados de prateleira.
Os erros na educação foram muitos e pior a obrigatoriedade escolar até ao 12º ano. Apenas mais custos.
Não temos qualquer formação nas diversas áreas profissionais e as licenciaturas são vendidas em pacotes, sem qualquer aplicação eficaz dentro do nosso mercado laboral. Como não podem ser despedidos sem justa causa, não são empregados por todas as causas da Lei. Os títulos são só novos adornos dos seus quartos.
Terminaram as formações das antigas escolas comerciais e industriais, talvez por terem sido uma vitória do Estado Novo. Convertemos a massa trabalhadora útil, em imbecis improdutivos.
Não formamos electricistas, marceneiros, metalúrgicos, pedreiros, pintores, mecânicos, agricultores, pescadores, torneiros, canalizadores, costureiras, etc.
Hoje somos uma sociedade laboral bipolar, de licenciados ineptos e de mão-de-obra não qualificada. Subimos nas estatísticas dos níveis de escolaridade, na directa proporção dos decretos de passagem de ano administrativa. Desafio os licenciados a efectuarem exames de admissão aos grémios correspondentes.
Da velha guarda, ainda existem sérios e sábios elementos, mas esses emigraram ou estão em actividades privadas. Na política e no funcionalismo, estão os ineptos que não são eficientes e dão prejuízo.
A política, está dominada por oportunistas incultos mas com títulos e mentirosos compulsivos.
Os sindicatos estão pejados de dogmáticos marxistas, que só prejudicam as classes que representam.
Entre ambos, não existe a aplicação da teoria do Equilíbrio nas negociações, aplicando-se apenas a teoria do Prisioneiro em prejuízo da restante sociedade.
Se são tão conhecedores das verdades necessárias ao país, porque não utilizam então a sábia teoria do Problema da Negociação? Para quem desconheça as teorias que refiro e que são aplicadas desde há anos na maioria dos países industrializados, recomendo ler John Nash que esteve na Aula Magna de Lisboa.
Tenho ouvido muitos disparates nas intervenções dos nossos políticos e economistas, referente às soluções para o país mas a mais chocante, foi a entrevista de ontem entre Eduardo Catroga e a Constança Cunha e Sá. Catroga é um reconhecido economista e sabe muito, mas é um ardiloso político e a Constança não está preparada para este tipo de entrevistas ou teve medo. Das diversas vezes perguntou quais seriam as medidas que o FMI imporia ao país, não obteve qualquer resposta conclusiva. Catroga evadiu e "deu-lhe a volta" e ela não soube obrigá-lo a ser explícito. Terá sido pressionada a encolher-se ou ele controlou-a?
A resposta dou-lha e agora Constança: O FMI imporá as medidas que estão expostas no meu artigo de 06/10/2010, O "papão" FMI, e outros classificados em economia.
Apenas acrescento que pelo atraso na aplicação das medidas de contenção, explicados no artigo Muro contra o FMI, do dia seguinte, hoje serão mais drásticas, nomeadamente as referidas nas Responsabilidades do Governo, ponto 4º, para 100 deputados e no 9º em que as medidas serão implementadas até à completa recuperação da economia, que estimo demore de 15 a 20 anos e mais a aplicação das alternativas expostas no artigo Justiça cega vs. IVA anti-social.
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