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quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

A Casa Pia chora

Mais outro acto numa má comédia. O famoso BIBI afinal mentiu e os culpados são os meninos.
Já era do conhecimento público esta anomalia congénita. Estas crianças são culpadas de haverem nascido, por isso foram armazenados no famoso provedor e classificados como carne libidosa.

A máxima moldura penal aplicada em Portugal tem o limite de 25 anos de prisão efectiva, mas com bom comportamento e o incremento da crise que aumenta os custos da permanência dos presos, saem em liberdade ao fim de 12 anos. Podem roubar, matar ou pior, violar uma criança ou 1.000, porque jamais sofrerão uma pena justiceira e muito menos punitiva. Em Portugal, o crime compensa.

É do conhecimento público, de que a permissividade dos diferentes governos, alimentou desde o Estado Novo, a depravação carnal e psicológica das crianças da Casa Pia, às mãos de senhores poderosos.
Porque razão seria ser diferente nestes casos? Em que políticos foram manchados e afastados do quadro nacional até ao esquecimento do povo e em que os actuais condenados, talvez sejam ilibados por provas inconclusivas ou no pior dos casos, absolvidos.

A envergadura deste processo e o seu contexto social, provocou o final do Tribunal da Boa Hora e exigiria um colégio de juízes para a sua apreciação. Ao contrário, o nosso sistema jurídico permite sucessivas mudanças de julgadores, a conspurcação dos processos e a dilação dos mesmos. Ao longo destes quase 9 anos, só temos constatado revisões às leis relacionadas com a pedofilia de acordo às personalidades envolvidas. Paulo Pedroso, Ferro Rodrigues, Jaime Gama, Herman José, já saíram de cena pelas razões conhecidas, mas Carlos Cruz, Carlos Silvino(BIBI), Manuel Abrantes, Jorge Ritto, Hugo Marçal, Ferreira Diniz, e Gertrudes Nunes foram julgados por crimes de abuso sexual. Termina o julgamento, e algumas das leis mudadas em 2007 voltaram agora a ser alteradas.

Esta é a nossa justiça.

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