Foi uma completa surpresa, este último debate. Foi um debate de altura, cujos intervenientes tiveram uma actuação muito melhor, que nos anteriores debates.
Judite de Sousa esteve à altura e foi muito profissional. Soube apresentar os assuntos pertinentes, interromper oportunamente e criar uma dinâmica favorável. Felicitações.
Quanto aos candidatos, souberam realmente criar um debate com interesse constante e muito vivaz. Parabéns aos dois candidatos.
Alegre esteve muito bem na oportunidade das suas intervenções e mais ainda, nas respostas argumentativas.
Desempenhou e muito bem, o seu papel como acusador da presidência de Cavaco. Foi mordaz e obteve algum valor, nomeadamente no relacionado com a defesa do Estado Social e a falta de justiça no Sistema de Justiça.
Em contrapartida, nos demais assuntos abordados foi incongruente e cometeu gafes enormes, quando se virou para o ataque a Cavaco.
Acusou Cavaco de indirectamente, estar conivente com as práticas do BPN e da SLN. Recebeu a resposta adequada, ao ser acusado por Cavaco de tentar enganar os Portugueses com as suas acusações. Certamente Alegre não tem provas, senão tê-las-ia apresentado. Não deveria ter tocado neste assunto, que o enterrou ainda mais.
Referiu a defesa da isenção das taxas moderadoras e de que são inconstitucionais, o que não é verdade, pois a Constituição é bem clara no Artigo 64º, ponto 2, alinha a): http://www.min-saude.pt/portal/conteudos/a+saude+em+portugal/politica+da+saude/enquadramento+legal/Constituicao.htm. Completo desconhecimento da Constituição, numa área da sua própria escolha.
Defende que o PR deve ser um regulador dos poderes em todo o território Nacional. Tem razão, apenas está fora de tempo, porque Cavaco sempre desempenhou esse papel, embora nem sempre tenha logrado os seus objectivos, com a clareza desejável.
Depois de insultar os credores do país, mais disse erradamente, que "o PR deve conversar com os credores, em conformidade com o governo, depois dum acordo estratégico" (sic). Que gafe tão grande, pois esse assunto não é da responsabilidade do PR e seria uma ingerência inconstitucional.
Prometeu ser "o contrapeso ao governo e vetará todas as leis em que esteja em desacordo" (sic). Mais uma barbaridade política e denunciadora do desconhecimento dos poderes presidenciais.
Alegre deve pensar que vai presidir o país, durante o governo do PSD. Está equivocado.
Com este debate, acaba de decidir a eleição a favor de Cavaco e à primeira volta.
Cavaco esteve sempre à vontade e muito seguro do terreno que pisava. Argumentou com seriedade e convicção às acusações de que foi alvo. Neste debate, olhou mais vezes de frente o seu adversário.
Foi bastante elucidativo e até demasiado incisivo, no seu futuro papel de presidente. Pretende apagar a apatia e erros políticos cometidos, na presidência passada.
Ganhou relevo, ao defender que o papel principal do presidente, é defender sempre as boas relações com os outros países e os interesses dos portugueses no estrangeiro. Este é um dos poucos assuntos relevantes da sua passada presidência, desempenhados com eficiência.
Repetiu, que não devemos insultar os credores, porque estes subiriam as taxas. Esta afirmação é ridícula e jamais deveria provir dum economista recém-licenciado, muito menos dum professor.
Cavaco está convencido de que vai ganhar as eleições e está correcto.
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