No meu anterior artigo "Direito à greve", refiro o artigo da Constituição que nos permite esta forma de manifestação, mas também refiro que: Compete aos trabalhadores definir o âmbito de interesses a defender através da greve…
É um direito da nossa Magna Carta, que não podemos negligenciar e muito menos agora.
Espera-se que a greve seja um êxito. Devo felicitar os organizadores da UGT e da CGTP, por haverem finalmente encontrado um denominador comum na defesa dos seus agremiados, ao fim de 22 anos. Pensei que trabalhavam pela mesma causa, mas aparentemente, cada organização defende os seus interesses pessoais. São partidos políticos disfarçados.
Acham que esta greve defende o melhor interesse do país? Não! Defende apenas o protagonismo político dos líderes sindicais. Trabalham muito bem, por isso ganham sempre as "eleições".
O líder da UGT, refere que Portugal é o país onde mais se trabalha e a remuneração não é equivalente. Só agora é que se lembrou de arvorar esse lema como bandeira?
A CGTP, ainda não se deu conta deste facto ou pensa de forma diferente em relação ao assunto.
Assim sendo, talvez tenha a resposta para a pouca e ineficiente capacidade produtiva do país. Trabalhamos muito e somos pobres, terrível paradoxo. Serão os empresários que não sabem rentabilizar os recursos humanos? Será o Governo que não tem mecanismos para negociar a nossa capacidade de trabalho no exterior? Ou será que é tudo uma falácia política?
Temos o complexo de que somos os melhores e de que a culpa é sempre dos outros.
Esta greve é mais um buraco na nossa economia e pelo que se projecta, de dimensões gigantescas.
Na quarta-feira 24 de Novembro, vai parar o país. Nem os serviços essenciais estão defendidos, por artifícios manhosos. Depois surgirão os casos de tribunal e como é usual, em nada resultará.
O povo é quem mais sofrerá, até aqueles que adiram à greve.
Segundo informações, a adesão envolverá até os guardas prisionais, espero que fechem as portas. 500 voos podem ser impedidos de operar em Portugal, segundo informações da RR, (http://www.rr.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=92&did=129950). Têm a remota ideia dos prejuízos directos? A actividade económica será afectada na globalidade. Não haverão aulas nem fazem falta, somos um povo mais culto depois do ME ter facilitado os exames. A segurança cidadã, os serviços de saúde, etc., etc., etc.
Todos sabemos quais os resultados. Nada vai mudar e não porque os grevistas não sejam ouvidos, mas porque não há espaço económico nem Constitucional de manobra. Articulação emperrada.
A responsabilidade da nossa situação presente é do PS, do PSD e do CDS, nesta ordem. Se os demais partidos com representatividade na Assembleia tivessem sido Governo, o resultado seria igual. Aliás, muitos estiveram activos no tempo do PREC e conhecemos as consequências, começando pela redacção da actual Constituição em 1976.
Esta foi a génese da actual situação e continuada pelos sucessivos governos.
O único político que teve as condições ideais para alterar o futuro do país, foi o douto Dr. Cavaco Silva, que governou com duas maiorias parlamentárias e não alterou a Constituição de égide comunista, pelos custos políticos. O país não é importante.
Há direitos constitucionais de greve, para Órgãos de Soberania. Esta é uma flagrante aberração.
Portugal vai mudar, mas para pior e graças a todos nós, que gostámos de beneficiar a bonança.
Portugal é o cordeiro sacrificado aos deuses do capital e o sacerdote FMI, empunhará a adaga.
Sem comentários:
Enviar um comentário
O seu comentário será devidamente considerado.
Obrigado.