Fernando Lamas e Amílcar Barreira abandonados em Angola no Verão de 1975, de 06/08/2009 por Maria José Oliveira.
Devo felicitar a autora do artigo pela sua publicação. No entanto, faço o reparo a que os últimos prisioneiros, chegamos em Outubro (Outono) de 1977.Pessoalmente não fui assediado pela PJM, mas sim pelo COPCON, representados por um Coronel e um Major, à minha chegada ao aeroporto de Lisboa.
Depois de três anteriores simulacros de embarque desde Luanda, com o bilhete de passagem em mão, vi o avião que me deveria transportar de regresso a Lisboa despegar, enquanto me levavam de regresso à Casa de Reclusão de Luanda.
Tremenda tortura psicológica.
Porquê? Pois o Governo de Portugal, impedia o meu embarque.
Quando cheguei só me esperavam poucos familiares directos (já não acreditavam na informação pública do meu regresso) e apenas um fotógrafo jornalista, cujo rolo lhe foi confiscado pelo Major.
Como já havia encerrado o IARN, e o COPCON me exigiu um compromisso por escrito, em como jamais denunciaria, nem falaria aos média sobre as atrocidades sofridas e as responsabilidades do Governo Português na cumplicidade da minha prisão, pedi em contrapartida, para justificar junto do IARN o meu atraso na solicitação de apoios, uma declaração explicativa.
O Governo Português, através do Ministério dos Negócios Estrangeiros, declarou que eu havia estado detido pelas autoridades da República Popular de Angola, a partir de Setembro de 1975, até ao dia 5 e Outubro de 1977.
A independência de Angola foi a 11 de Novembro de 1975.
Esta foi a melhor manifestação da soberania Portuguesa, no "reinado" do Mário Soares e seus acólitos.
Sofri pressões e ameaças (de morte acidental) pessoais e de criarem incómodos à minha família, senão lhes devolvesse a referida declaração, com promessas de que tudo fariam para me compensar económicamente.
Como não acedi, adverti-os de que se me acontecesse algo ao atravessar a rua, que a declaração que haviam feito e a minha denúncia contra eles, por nomes e conversas gravadas em segredo, estavam em poder de três distintos advogados, um já eles tinham identificado, com instruções para procederem à publicação da minha mensagem e consequente acusação contra o Estado Português, se acaso eu perecesse, até por um casual ataque de tosse.
Em virtude deste enfrentamento, o Major aconselhou-me a abandonar o país até a situação arrefecer.
Fui para a Venezuela e por lá fiquei durante 16 anos.
Ainda tenho a declaração em cofre bancário, cuja cópia foi publicada pela corajosa e louvável jornalista Leonor Figueiredo.
Luís Guerreiro Pereira
A minha opinião aqui expressa, é a de alguém que nasceu em 25/10/1977, e que tem o conhecimento limitado ao que lê e ouve daqueles que realmente viveram e participaram nesses acontecimentos. Lamento profundamente que tão pouco se dê a conhecer às gerações posteriores, que nos seja ocultada a verdade do sucedido para tentar branquear as acções indignas, incompetentes e mesmo criminosas dos intervenientes em todo esse processo. Não é perseguindo os que tem coragem de contar o que realmente sucedeu que vamos conseguir sarar as feridas abertas nessa página negra da nossa História. Tenho a firme convicção que muito à ainda para contar e espero que apareçam mais pessoas com a coragem destes Homens que não se amedrontam com pressões e ameaças. Espero que um dia alguém seja responsabilizado por todo o mal feito a milhares de Portugueses e à dignidade de todo um país.
ResponderEliminarRui Pereira
Obrigado pelo comentário Rui Pereira.
ResponderEliminarTemos o mesmo apelido, mas não somos familiares, assim que não corre perigo de perseguições, pelas suas opiniões expressas.
Só agora tenho a oportunidade para levantar o véu desta "vergonha do governo de Mário Soares", porque já estou velho e não me importam as consequências.
A minha família já está acomodada e nenhum mal lhes podem fazer tampouco.
Pretendo polemizar este assunto e responsabilizar os cabecilhas traidores.
Talvez ainda não seja oportuno comentar ou talvez não encontre as palavras, talves expressando-me, talvez pegando e simplesmenta expressando...
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