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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Morreu o Governo – Viva o Desgoverno

Com muita atenção ouvi este debate na Assembleia com o Governo. Como sempre, apenas falaram os mesmos protagonistas e também como sempre, foi um autêntico circo. Estou habituado às discussões vis, insubstanciais e desinteressadas dos problemas do país. Só acusações mútuas.
Já não me causam surpresa, por isso não me sentia motivado a dedicar-lhe atenção, contudo, em virtude do actual quadro social, alentei a exígua esperança de que este fosse diferente, fosse mais objectivo e concreto, com o anúncio de soluções plausíveis e alentadoras.

Tive a maior surpresa dos últimos tempos: A anunciada moção de censura ao governo por parte do BE, para o dia 10 de Março.
Este anúncio foi a maior e mais desagradável surpresa ouvida em debates nesta Assembleia. E agravado pela sua procedência.

Claro que a moção não passará.
Mas o veneno já está lançado e contaminará toda a nossa política periclitante e no pior momento.
O BE mudará de ideias, por o anúncio haver sido feito debaixo de emoções circunstanciais e com resultados alheios à sua tónica política. Agora, com os ânimos mais tranquilos, Louçã, se for inteligente, recuará.
Se continuar com esta ideia estúpida, a moção não passará porque o PSD e o CDS-PP, não alinharão nestas manobras de desestabilização.
Considero Louçã mais inteligente. Conhecendo ele os contornos sociais e económicos negativos, que provocará com a queda do governo neste momento, acredito que o objectivo dele estará por encima destas consequências e apenas com o fito de provocar uma derrocada social, para de entre as ruínas, renascer politicamente.
É apenas egoísmo partidário. Não há surpresas nesta linha de pensamento.

O desgoverno começa agora, porque o PS de moribundo passou a morto. A partir deste momento, deixa de ter moral executiva perante o país e mais grave ainda, perante o mundo, passando a ser um desgoverno de gestão.

Esta é realmente a consequência deste anúncio tendencioso, que provocará mais greves arbitrárias e inconsequentes. A classe empresarial, que são a base da economia do país, se até agora alentava alguma réstia de confiança futura, estagnará nos seus investimentos até ver em que termina esta bomba política. Acelerará o encerramento das empresas e paralisará a economia interna.

Como consequência imposta, o Presidente da República será obrigado a tomar uma atitude política diferente àquela que tinha em mente, e, possivelmente será coagido a dissolver a Assembleia.

Só espero que não convoque a eleições antecipadas. Não temos políticos preparados nem dinheiro para isso e não podemos pedir emprestado, para estas mordomias políticas. Espero que opte por um Governo de Supervisão Presidencial, dentro do contexto dum estado de sobrevivência, tal como escrevi no artigo " O desastre iminente e o Presidente" de 09/10/10.

Em breve apresentarei a minha sugestão, dos possíveis membros deste tipo de governo.

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